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Stylist, estilista e personal stylist: afinal, qual é a diferença?

Stylist, estilista e personal stylist: afinal, qual é a diferença?

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Quando eu falo que trabalho com imagem e moda, uma das confusões que mais vejo é entre stylist, estilista e personal stylist. E eu entendo completamente, porque são profissões que conversam entre si o tempo inteiro. Mas elas não fazem a mesma coisa. Hoje quero trazer para vocês essa diferença.

Vamos começar pelo estilista. O estilista é o profissional que cria moda. É ele que pode pegar uma ideia e transformar aquilo em uma peça que ainda nem existe. Pesquisa referências e tendências, pensa em tecidos, cores, modelagens, desenhos e participa de todo o desenvolvimento de uma coleção. Dependendo da estrutura da marca ou do ateliê, ele também acompanha e direciona toda a equipe responsável pela confecção.

Quando pensamos em grandes nomes como Coco Chanel, Christian Dior, Alexander McQueen ou Yves Saint Laurent, estamos falando justamente de criadores que não apenas vestiram pessoas, mas desenvolveram uma linguagem própria através das roupas.

Créditos da imagem: Foto tirada da campanha Yves Henri Donat Matthieu Saint Laurentvestidos jérsei Mondrian com silhuetas retas, cores primarias, linhasxgeométricas em homenagem ao pintor modernista, Piet Mondrian.

Ou seja: quando você vê um vestido sendo desenvolvido do zero, existe ali um trabalho de criação que pertence muito mais ao universo do estilista e da equipe de design e confecção.

O stylist já entra em outro lugar. Aqui encaixa onde eu, João Paulo Braga, trabalho arduamente. Não preciso criar aquela roupa do zero. O papel é pegar roupas, acessórios, referências e elementos de imagem e construir uma narrativa.

É muito comum encontrar esse profissional em editoriais de moda, campanhas, videoclipes, desfiles, capas de revista e produções de artistas.

Um exemplo muito conhecido atualmente é Law Roach, responsável por algumas das imagens mais marcantes de celebridades como Zendaya. O interessante é perceber que muitas vezes ele não criou o vestido que ela está usando, mas ajudou a construir todo o momento, a referência, a escolha da peça e a narrativa em torno daquela aparição. É aí que conseguimos enxergar muito bem o poder de um styling.

Créditos da imagem: businessoffashion

E é justamente aqui que eu sempre digo: não basta escolher uma roupa bonita. O stylist precisa entender o que aquela imagem quer comunicar. Às vezes o look nem foi pensado para ser usado normalmente na rua. Ele existe para contar uma história, representar um conceito ou provocar uma sensação.

Já o personal stylist trabalha diretamente com a imagem da pessoa. E talvez seja essa a área com a qual eu mais me identifico profissionalmente. Antes de pensar em uma roupa, eu quero entender quem está vestindo aquela roupa. Quem é essa pessoa? Qual imagem ela quer transmitir? Onde ela vai? O que ela representa? O que queremos que as pessoas percebam quando olharem para ela?

É aquele trabalho que muitas vezes vemos por trás da evolução de imagem de empresários, artistas, apresentadores, influenciadores, misses e outras figuras públicas. Não se trata apenas de escolher o look de uma noite, mas de construir uma coerência de imagem ao longo do tempo.

Quando trabalho a imagem de uma miss, por exemplo, eu não estou simplesmente escolhendo vestidos. Existe uma estratégia por trás. Penso no momento, na personalidade, no propósito, na mensagem, nas cores, nos acessórios e em como cada aparição contribui para construir aquela imagem ao longo de toda a trajetória.

Créditos da imagem: Foto tirada para o Miss Universe Brasil, através de Aura Produtora

Por isso, para mim, existe uma forma muito simples de separar as três profissões: o estilista cria a roupa, o stylist cria a narrativa e o personal stylist constrói a imagem da pessoa.

E é aí que a moda fica realmente interessante. Porque uma roupa pode nascer da criatividade de um estilista, ganhar uma nova história nas mãos de um stylist e, quando encontra a pessoa certa, se transformar em uma ferramenta de identidade através do personal stylist.

No final, eu continuo defendendo uma coisa que falo muito: roupa nunca é só roupa. Ela comunica antes mesmo de você abrir a boca.

Créditos:
João Paulo Braga
Stylist / Perosnal Stylist

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