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Beleza impecável, ousadia quase ausente: o tapete vermelho do Golden Globes Brazil

Beleza impecável, ousadia quase ausente: o tapete vermelho do Golden Globes Brazil

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O Golden Globes Tribute Brazil chega como um movimento estratégico dentro da expansão global do próprio Golden Globes. Trata-se de uma gala oficial ligada à premiação, mas não à sua cerimônia principal em Hollywood.

É, na essência, um evento paralelo criado para homenagear talentos brasileiros, conectar o Brasil ao mercado global de cinema e televisão e posicionar o país como um player relevante na indústria internacional.

Realizado em 18 de março de 2026, no icônico Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o encontro seguiu o formato clássico de um evento fechado: black tie, jantar e celebração de nomes com impacto dentro e fora do país, uma ponte direta entre Hollywood e a potência criativa brasileira.

Dito isso, sendo absolutamente honesto, e talvez um pouco exigente demais, como todo bom observador de moda deve ser: não fui surpreendido grandiosamente.

A noite foi marcada por uma estética segura. Elegante, sim. Coesa, sem dúvida. Mas previsível. Faltou aquele impacto que faz o olhar parar, que constrói narrativa, que transforma presença em memória. Vi muitos acertos técnicos, poucos riscos criativos. O preto dominou, escolha clássica, porém confortável demais para um evento que pedia mais ousadia, mais identidade, mais alta-costura.

Ainda assim, seria injusto não reconhecer: raríssimos foram os deslizes. Quase todos estavam alinhados, bem vestidos, respeitando o dress code e a grandiosidade da ocasião. Mas moda, sobretudo em um tapete dessa magnitude, não deve apenas respeitar, deve provocar.

Venho citar alguns que me fizeram a minha noite feliz:

Bruna Marquezine surgiu como se espera de uma apresentadora: clássica, elegante e com sensualidade na medida exata. Vestindo Tom Ford, optou por uma cartela neutra e um styling mais contido. Estava deslumbrante, é inegável que tudo o que veste ganha outra dimensão, mas confesso que senti falta de um gesto mais ousado. A ocasião permitia. Ainda assim, foi no seguro e acertou.

(Foto: Brazil News)

Sabrina Sato era uma das minhas maiores expectativas. E, de certa forma, entregou. Veio elegantérrima, com um styling refinado e bem construído. Não foi a ruptura estética que imaginei, mas foi impecável. Sabrina entende o próprio corpo, entende moda e raramente decepciona, aqui não foi diferente.

Quem realmente capturou o espírito do evento foi Marjorie Estiano. Vestindo Alexandre Herchcovitch e joias Bvlgari, trouxe um glamour que dialoga diretamente com o imaginário hollywoodiano. O vestido branco com fendas laterais era preciso, sofisticado e sem excessos, exatamente como o tapete vermelho exige. Internacional, segura e memorável.

 Foto: Lucas Ramos / Brazil News

Um dos momentos mais interessantes da noite veio com Silvia Braz. Conhecida por sua estética mais clássica, surpreendeu ao surgir de Balenciaga, incorporando um verde marcante na composição. Foi um respiro criativo em meio à previsibilidade. Sua filha, Maria Braz, igualmente deslumbrante, seguiu a mesma proposta estética com um look da coleção Spring 2026 da Maison. Um diálogo geracional bem executado.

Foto: Pierpaolo Piccioli

E então, Maisa. Talvez a maior surpresa da noite. Vestindo Gloria Coelho, entregou um look coerente com sua personalidade: jovem, fresco, equilibrado. Não era um look de impacto imediato, mas era inteligente. Styling limpo, cabelo preciso, joias discretas. Deixou o conjunto falar. Foi um acerto estratégico.


Jordanna Maia surgiu no tapete vermelho com um olhar certeiro ao resgatar um Dolce & Gabbana dos anos 2000, uma escolha que, por si só, já eleva a leitura de moda e a posiciona à altura do evento. O vestido carregava essa aura nostálgica com apelo internacional, e seu styling foi inteligente ao valorizar a peça sem excessos, entendendo exatamente onde poderia construir presença. Confesso que, para a grandiosidade da ocasião, eu gostaria de vê-lo em um comprimento mais alongado, o que traria ainda mais imponência ao conjunto. Ainda assim, Jordanna soube sustentar o look com segurança, mostrou domínio de imagem e entregou uma aparição bela, coesa e perfeitamente alinhada com o espírito de um tapete vermelho internacional.

Foto: Instagram Jordanna Maia e Maisa

Outros nomes também merecem destaque: Thássia Naves e Alice Wegmann com Reinaldo Lourenço, Camila Queiroz vestindo Gucci, Camila Pitanga com Alaïa e Rafa Kalimann usando Oscar de la Renta. Todos dentro de uma estética correta, refinada e adequada e que souberam se vestir para ocasião.

Entre os homens, Lázaro Ramos merece menção especial. De Armani e joias Ara Vartanian, estava impecável. O que mais admiro nele é sua disposição em experimentar e mesmo quando não há ruptura, há sempre intenção. Estava sofisticado, elegante e absolutamente coerente com o papel de anfitrião.

No fim, fica a sensação de que o Brasil entregou uma noite bonita, mas não histórica. Faltou coragem. Faltou excesso. Faltou aquele glamour quase cinematográfico que o próprio nome Golden Globes carrega.

Espero mais no próximo.

Menos segurança.
Menos preto.
Mais identidade.

Quero ver o Brasil em sua potência máxima: colorido, ousado, autoral.
Quero ver alta-costura de verdade.
Quero padrão internacional, mas com alma brasileira.

E você, o que achou?

João Paulo Braga
Personal Stylist

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