Se você curte literatura contemporânea ou acompanha criadores de conteúdo literário, com certeza já ouviu termos como “Enemies to lovers” ou “Fake dating”, essas são as famosas tropes. Elas são padrões narrativos, clichês ou convenções de enredo que se repetem não só nos livros, como também em filmes e séries.
Traduzindo para o português, a palavra vira “tropo” e tem exatamente o mesmo significado, vem do grego tropos = “virada”, já que se trata de um acontecimento que faz a história caminhar.
Enemies to Lovers (Inimigos que viram amantes)
Nesta trope, os personagens começam a história se odiando ou com conflitos fortes e acabam se apaixonando. Como na saga do Povo do Ar (O príncipe cruel, O rei perverso e A rainha do nada) de Holly Black ou no clássico Orgulho e preconceito de Jane Austen.
Friends to Lovers (Amigos que viram casal)
Sabe aqueles amigos que todo mundo (menos eles) sabe que deveriam ser mais que amigos? A relação dos personagens começa com uma amizade e evolui para um romance. Livros como Vermelho, branco e sangue azul de Casey McQuiston e A mensageira da sorte de Fernanda Niasão boas indicações para quem gosta desse tipo de trama.
Fake Dating (Relacionamento de mentira)
Os personagens fingem estar juntos, seja por um interesse em comum, por pressão social ou qualquer outra razão e acabam se apaixonando de verdade. Dois livros muito conhecidos pelos leitores de romance são: O duque e eu de Julia Quinn e Para todos os garotos que já amei de Jenny Han.
Grumpy x Sunshine
Essa trope acontece quando temos um livro com um personagem central fechado e rabugento (“grumpy”) e o outro leve e otimista (“sunshine”). Isso acontece em Assistente do vilão de Hannah Nicole Maehrer e em Aconteceu naquele verão de Tessa Bailey.
One Bed (Só tem uma cama)
Essa é uma situação clássica de enredos com romance em que personagens precisam dividir a mesma cama, o que acaba gerando tensão romântica. O livro de “romantasia” — fantasia com uma trama romântica central) —De Sangue e Cinzas de Jennifer L. Armentrout tem um momento One Bed e o romance Teto para dois de Beth O’Leary brinca com a trope de um jeito diferente e criativo no decorrer do enredo.
Second Chance Romance (Segunda chance no amor)
Nessa trope, casais que já tiveram um relacionamento no passado e se reencontram depois de mudarem de vida dão uma segunda chance para o amor. É o que acontece em livros como É assim que acaba de Colleen Hoover e Amor(es) verdadeiro(s) de Taylor Jenkins Reid.
Slow Burn (Romance lento)
Acontece quando um relacionamento demora MUITO para acontecer, com bastante tensão e desenvolvimento a longo prazo. Aquele tipo de livro que te entrega as famosas migalhas de romance antes do prato principal. Ótimos exemplos da trope são Leitura de verão de Emily Henry e A casa dos espíritos de Isabel Allende.
Chosen One (O escolhido)
Já ouviu falar na “Jornada do Herói”? É uma estrutura narrativa consolidada Joseph Campbell. Essa trope se encaixa perfeitamente no conceito, pois o personagem principal é apresentado como “destinado” a cumprir uma grande missão. Harry Potter e a Pedra Filosofal de J. K. Rowling e Trono de Vidro de Sarah J. Maas são ótimos exemplos desse tipo de narrativa.
Dark Academia (Academia Sombria)
O termo se refere não apenas a um acontecimento, mas sim a histórias com estética sombria, foco em conhecimento, mistério e ambientes acadêmicos.
Livros como A história secreta de Donna Tartt e o clássico O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde carregam essa estética.
Time Travel Romance (Viagem no tempo com romance)
São tramas onde um personagem viaja no tempo e se envolve romanticamente, na maioria das vezes, com alguém que vive em outra época da história. Exemplos de livros com esse enredo são: a fantasia histórica Outlander de Diana Gabaldon e o romance Perdida de Carina Rissi.
Found Family (Família encontrada)
São enredos em que personagens de diferentes origens criam laços fortes e formam uma “família” fora da biológica. Como acontece em Seis de Corvos de Leigh Bardugo e Percy Jackson e o Ladrão de Raios de Rick Riordan.