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As Mulheres 40+ são as novas It Girls?

As Mulheres 40+ são as novas It Girls?

Nas últimas semanas, uma expressão ganhou força nas redes sociais e nos principais veículos internacionais de moda: "Hot Divorcée Summer"

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Por muito tempo, a indústria da moda insistiu em vender a juventude como o auge da beleza, da relevância e do desejo. As campanhas mostravam rostos cada vez mais jovens, enquanto mulheres maduras pareciam desaparecer das vitrines, das passarelas e até das conversas sobre tendências. Mas o jogo começou a mudar.

Nas últimas semanas, uma expressão ganhou força nas redes sociais e nos principais veículos internacionais de moda: “Hot Divorcée Summer”. Em tradução livre, seria algo como o “verão das divorciadas atraentes“, mas o conceito vai muito além do estado civil.

A tendência celebra mulheres acima dos 40 anos que vivem uma fase de redescoberta pessoal, independência financeira e liberdade de escolha. Mulheres que não estão preocupadas em parecer mais jovens, mas em parecer elas mesmas. E talvez seja justamente isso que esteja chamando tanta atenção.

A verdade é que algumas das maiores referências de estilo da atualidade já ultrapassaram os 40 há muito tempo. Nomes como Jennifer Lopez, Nicole Kidman, Charlize Theron, Salma Hayek e Halle Berry continuam ocupando os tapetes vermelhos mais importantes do mundo e influenciando tendências globais.

No último Oscar, por exemplo, chamou a atenção a presença de mulheres maduras usando looks que combinavam sofisticação, personalidade e confiança. Não havia a necessidade de parecer mais jovem. O destaque estava justamente na elegância de quem conhece sua própria identidade.

Getty Images

E não estamos falando apenas de Hollywood.

Na moda, referências como Victoria Beckham transformaram maturidade em assinatura de estilo. Já Sarah Jessica Parker segue sendo uma das mulheres mais fotografadas do mundo quando o assunto é moda, provando que autenticidade continua sendo o acessório mais valioso de qualquer produção. Mesmo ela se rendendo aos procedimentos estéticos.

Até mesmo o mercado de luxo já percebeu essa mudança. Marcas que antes concentravam sua comunicação em consumidoras mais jovens agora investem cada vez mais em campanhas protagonizadas por mulheres experientes, influentes e com alto poder de compra. Afinal, elas não apenas consomem moda: elas definem o que tem valor.

Campanha Donna Karan Nova York Outono 2025 com Claudia Schiffer e Mariacarla Boscono.

O resultado disso já começa a aparecer nas coleções, campanhas e editoriais. A alfaiataria sofisticada ganha espaço, os tecidos nobres voltam a ser valorizados e a elegância silenciosa substitui a necessidade de excessos. O luxo deixa de gritar e passa a conversar.

Mais do que uma mudança estética, estamos assistindo a uma mudança cultural.

A mulher de 40, 50 ou 60 anos de hoje é muito diferente daquela retratada pela sociedade décadas atrás. Ela lidera empresas, cria negócios, ocupa cargos de destaque, viaja sozinha, investe, produz conteúdo e influencia decisões de consumo dentro e fora de casa.Talvez por isso a moda esteja finalmente voltando os olhos para ela.

E se os tapetes vermelhos, as capas de revista e as campanhas de luxo estão nos mostrando alguma coisa, é que o futuro da moda talvez não esteja na busca pela juventude eterna.

HOLLYWOOD, CALIFORNIA – MARCH 15: Nicole Kidman attends the 98th Oscars at Dolby Theatre on March 15, 2026 in Hollywood, California. (Photo by Frazer Harrison/WireImage)


No Brasil, essa movimentação também é cada vez mais evidente. Mulheres como Silvia Braz, Taís Araújo, Angélica, Adriane Galisteu e Sabrina Sato vêm mostrando que estilo não está ligado à idade, mas à autenticidade.

Silvia Braz, hoje uma das maiores referências de moda do país, construiu sua imagem justamente apostando em uma elegância contemporânea, sofisticada e sem excessos. Presença constante nas semanas de moda internacionais, ela representa uma geração de mulheres que entendem o luxo como expressão de personalidade e não como exibição.

Já Taís Araújo segue sendo um dos nomes mais influentes quando o assunto é moda e representatividade. Em cada aparição pública, seja em premiações, campanhas ou eventos sociais, ela demonstra como a confiança pode ser o elemento mais poderoso de qualquer produção.

Angélica também vive um momento interessante. Longe da imagem da jovem apresentadora que marcou gerações, ela abraça uma estética elegante, moderna e cada vez mais alinhada com a mulher madura de hoje: segura, relevante e consciente de sua própria imagem.

O mais interessante é perceber que nenhuma delas tenta voltar no tempo. Pelo contrário. Elas mostram que envelhecer pode ser sinônimo de liberdade, refinamento e presença. E talvez seja justamente isso que esteja inspirando tantas mulheres dentro e fora das passarelas.

E talvez essa mudança vá muito além do universo fashion.

Enquanto durante anos o mercado apostou que o futuro estaria apenas nas influenciadoras mais jovens e nos fenômenos instantâneos das redes sociais, algumas mulheres mostraram que experiência, repertório e credibilidade continuam tendo um valor enorme.

Um dos exemplos mais interessantes é o de Eliana. Em um cenário onde muitas emissoras buscaram renovar suas grades apostando em nomes digitais, Eliana chegou à televisão aberta carregando algo que não se constrói da noite para o dia: conexão genuína com o público. Sua estreia aos domingos mostrou que relevância não tem prazo de validade e que a experiência ainda é um dos ativos mais valiosos da comunicação.

A ex-primeira-dama da França, Carla Bruni, aos 56 anos – Getty Imagens

O mesmo acontece na moda. O mesmo acontece no entretenimento. O mesmo acontece nos negócios. Talvez o mundo não tenha parado para olhar as mulheres acima dos 40 anos. Talvez elas sempre estivessem ocupando espaços importantes, enquanto a sociedade insistia em olhar para outro lado.

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